quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Paixão: Sempre o último a saber

Com a devida autorização da Kefhane, do blog http://eueeumesmapontocom.blogspot.com/ , segue um texto dela que eu adorei.






Falar de amor e de paixão até que é fácil. Difícil mesmo é admitir a paixão quando você está de fato apaixonado, mas chega um dia que todos nós caímos de quatro por um espécime do sexo oposto e aí?

Ai, que a história quase sempre começa sem pretensão de pelo menos uma das partes. Nasce a amizade e junto com ela as piadinhas e as insinuações dos amigos. Logo, os familiares também entram na brincadeira e uma noite você deita a cabeça no travesseiro, fecha os olhos e pula da cama assustado. Acaba de descobrir que está apaixonado.

É nesse ponto que vem a fase da negação. Você olha no espelho e tenta se convencer que pirou, que está carente, insano ou sei lá o que. Perde o maior tempo na tentativa convencer os amigos que é só amizade, mas quando o outro aparece... a droga do seu coração acelera, a mão sua e coisas que antes não aconteciam o pegam de surpresa. Você é flagrado se perfumando todo quando vai encontrar a pessoa, começa a sorrir feito bobo quando estão juntos, sorri tanto que chega a da dor no maxilar, começa a ficar ansioso pelo telefonema, sente uma pontinha de ciúmes quando vê seu amado amigo de papo com algum pretendente e mais um monte de coisinhas e mimimis que vão aparecer ao longo do tempo e que voê vai fingir nem notar.

Uma hora você percebe que não dá mais para negar, está apaixonado. Então, admiti para si mesmo, mas nega até a morte se alguém vier perguntar ou fazer algum comentário besta. Decidi que o melhor é deixar a suposta paixão morrer.

Entra na fase do gelo. Isso mesmo, você se distancia um pouco, passa tratar com uma certa frieza, finge indiferença e engole a saudades determinado a assassinar a tão incômoda paixonite.

O que você não sabe é que quanto mais se empenha em distanciar-se, mais se apaixona. Em um certo momento vai descobrir que já não consegue mais engolir as saudades, percebe que ocupa 26h do seu dia pensando no outro e que faz planos inconscientes de futuro com casa de cerquinha branca, filhos e um cão grande e babão. As pessoas começam a notar que você está completamente caído, com os quatro pneus arriados, mas você disfarça. Então, se forma uma espécie de nó na garganta que não sobe nem desce e você precisa desabafar com urgência. Relutante, resolve confidenciar a um amigo mais íntimo e pede segredo. Ele ri quando você conta e diz que já sabia. Como assim já sabia? Nem você sabia direito, escondeu tão bem esse tempo todo, disfarçou, negou com veemência e até fingiu indiferença. O seu amigo ri ainda mais e diz que todos já sabiam.

Você fica atônito, desolado, arrasado, sente traído, apunhalado porque foi o último a saber.

P.S.: Sim, realmente adorei o texto dela e achei perfeito para esta minha fase de vida e deixar aqui no blog.

3 comentários:

  1. poxa! adorei este texto! muito bem escrito =]

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  2. Texto muito bacana dessa guria! A gente tem mesmo tendência a negar que está apaixonado, fazer de conta que não está sentindo nada. Ri muito aqui lembrando das várias vezes que fui contar p algum chegado que estava apaixonado e ele disse que já sabia, que nem foi descrito nesse texto.

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  3. Leio textos dela lá no Diário de Solteiro, realmente ela manda muito bem, racho de rir com os textos dela lá no DDS mas não conhecia o blog dela.

    Adorei o texto das pequenas coisas que irritam tb.

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